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Character.AI pede Chapter 11 e negocia venda de ativos à Disney

· 6 min de leitura

A Disney pagaria US$ 20 milhões por parte dos ativos da Character.AI, mas a própria empresa diz que ainda não tem comprador. As duas coisas cabem na mesma notícia, e é nesse vão que mora a história.

A Character.AI é a plataforma em que usuários criam personagens de IA e conversam com eles. Ela pediu proteção pelo Chapter 11 nos EUA para conduzir a venda da companhia e de seus ativos. O anúncio saiu na segunda-feira (13/10/2026, pela data de publicação das matérias), em comunicado e post de blog.

Cinco anos de corrida, com um pit stop bilionário

A empresa foi fundada no fim de 2021 por Noam Shazeer, coautor do artigo do Transformer, e Daniel De Freitas, ambos ex-engenheiros do Google. Segundo o TechCrunch, o plano inicial era treinar modelos de fundação e criar uma plataforma de chatbots com personagens personalizados.

O começo foi rápido. Em setembro de 2022, a startup atingiu valuation de unicórnio com uma captação de US$ 150 milhões. Na época, dizia que os usuários tinham trocado mais de 2 bilhões de mensagens com os bots em cinco meses. Em maio de 2023, os apps tiveram mais de 1,7 milhão de instalações na primeira semana.

Em agosto de 2024, o Google fechou um acordo de US$ 2,7 bilhões para licenciar os modelos da startup, e Shazeer e De Freitas voltaram à empresa de busca. O Verge descreve o negócio de outra forma: o Google teria gastado mais de US$ 2 bilhões para contratar boa parte dos talentos. As fontes divergem na descrição e no valor, então ficam as duas versões aqui.

Depois disso, o general counsel, Dominic Perella, assumiu como CEO interino, e a empresa deixou de treinar modelos de fundação. Em outubro de 2024, eram 20 milhões de usuários ativos mensais. Segundo a Sensor Tower, citada pelo TechCrunch, o app era um dos líderes em tempo de uso.

O que está na mesa com a Disney

A Disney seria a proponente principal (lead bidder). Pense nela como a primeira oferta de um leilão: ela define a base, e quem quiser competir precisa passar por cima. O Verge usa esse enquadramento.

Pelo que as fontes descrevem, a Disney pagaria US$ 20 milhões por ativos não divulgados e receberia uma licença não exclusiva e perpétua da tecnologia. Licença não exclusiva é como alugar um apartamento sabendo que o dono pode ter outros inquilinos: você usa, mas não é o único. O Verge fala em licença não exclusiva de propriedade intelectual não especificada. Nenhuma fonte diz quais ativos entram na conta.

A Disney também prestaria serviços de transição com ex-funcionários da Character.AI que ela contratou. O envolvimento vem pouco depois de ela contratar o ex-CEO Karandeep Anand como diretor de tecnologia. Segundo o TechCrunch, ele e ex-funcionários entraram na Disney no mês anterior. A Disney também disse esperar que parte da equipe técnica da Character.AI se juntasse a ela.

O Verge compara a operação a um acquihire, que é comprar uma empresa mais pelas pessoas do que pelo produto. Segundo o veículo, a estratégia às vezes deixa a empresa de origem com dificuldade para sobreviver.

Há um detalhe de enredo. Segundo o Verge, a Disney já havia reclamado que a Character prejudicava sua marca e explorava sua propriedade intelectual com chatbots não autorizados de seus personagens, chegando a enviar notificações extrajudiciais. Agora, ela aparece como a principal interessada.

Os números do pedido

O Verge diz que a empresa listou passivos estimados entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões. O TechCrunch descreve o documento judicial como indicando ativos e passivos nessa faixa. A diferença importa, e as fontes não esclarecem qual leitura é a certa. Também não há detalhamento de dívidas, credores ou receita.

A empresa captou mais de US$ 193 milhões em várias rodadas, segundo o PitchBook citado pelo TechCrunch, com investidores como Lightspeed, SV Angel, Greycroft e a16z.

O CEO atual, Colin Adams, afirmou que o conselho concluiu, depois de revisar as alternativas, que o processo de venda supervisionado pela Justiça oferece a melhor chance de maximizar valor para os interessados. A empresa continuará operando durante o processo, inclusive com assinaturas pagas. A previsão é que ele termine no fim de novembro ou início de dezembro.

Adams também disse que ainda não há proposta nem comprador para os ativos. Se não surgir uma oferta viável, a plataforma será encerrada. As fontes não esclarecem se a oferta da Disney cobre apenas ativos específicos, e não a plataforma inteira.

Processos, pressão e um negócio difícil de sustentar

Aqui o tom é outro. A empresa foi processada após o suicídio de um menino de 14 anos na Flórida, cuja mãe diz que ele ficou obcecado por um chatbot da plataforma. Depois disso, o Texas abriu investigação sobre a conformidade com leis de privacidade e segurança infantil. A empresa fez acordo em alguns dos processos, reforçou recursos de segurança e proibiu menores na plataforma. As fontes não informam o resultado das ações nem os termos dos acordos.

Na gestão, Anand assumiu em junho do ano passado, segundo o TechCrunch. Ele ampliou o produto com geração de vídeo por IA e feeds sociais e depois apostou em narrativa interativa e microdramas. O Verge diz que a gestão durou pouco mais de um ano. Para o TechCrunch, o pedido de falência mostra que essas mudanças não resolveram a sustentabilidade do negócio.

As fontes citam processos, pressão regulatória e dificuldades operacionais como pano de fundo. Nenhuma divulga receita, prejuízo ou custo de computação que permita medir o peso de cada fator.

Por que importa

Para quem usa o app, o que existe agora é incerteza. O serviço segue no ar, mas a empresa admite que pode ser desligado. O que acontecerá com usuários e assinantes se isso ocorrer não está detalhado nas fontes.

Para o mercado, o TechCrunch avalia que o caso mostra como é difícil escalar e monetizar produtos de IA voltados ao consumidor. O raciocínio: muito engajamento é bom, mas os custos de IA crescem conforme mais gente usa o app, e isso aumenta a pressão por monetização. É uma leitura do veículo, sem números, e não um dado divulgado pela empresa.

O que observar a seguir: se surgirão propostas concorrentes à da Disney, se alguma preservará a plataforma e se o prazo de fim de novembro ou início de dezembro será cumprido. Como ficam os processos e as investigações dentro da recuperação, as fontes não dizem.

Fontes

  1. TechCrunch – “Just 5 years in, interactive chatbot platform Character.AI files for bankruptcy” – https://techcrunch.com/2026/10/13/just-5-years-in-interactive-chatbot-platform-character-ai-files-for-bankruptcy/
  2. The Verge – “Character.AI files for bankruptcy” – https://www.theverge.com/ai-artificial-intelligence/1009802/character-ai-files-for-bankruptcy-disney

Tags: Character.AI, inteligência artificial, Disney

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